Solidão

Às vezes tento imaginar como seria,

Se um dia eu pudesse ser como os outros,

Sentir-me útil, agradável e visto como boa companhia,

Ser um companheiro tão cotado como tantos,

Mas o que vejo assolado em meu ser

É uma tremenda dor que com ela vivo

E me dói muito imaginar que não vou ter,

Meu próprio grupo e com ele ter convívio,

Mas me acostumei porque cansei foi de sofrer;

A solidão que com a qual já bato papo,

A solidão com a qual já me alegro,

É a mesma solidão que me desnorteia

E ainda é a mesma a quem me entrego,

Não adianta nem tentar brigar com ela,

É quem me esconde, me camufla e me insere,

Em um mundo mágico, irreal e invisível,

Quando percebo é também quem mais me fere.

                                         Rodrigo Dias

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